Deus na Família

Com o Espiritismo, aprendemos a colocar Deus acima de todas as coisas, por ser o Pai e o Criador de tudo o que existe. Este ponto está muito evidente em toda a obra de Allan Kardec que sempre deu ênfase à existência de Deus, aos Seus atributos de infinita perfeição, e à maravilhosa Obra da Criação.

Allan Kardec, no Capítulo I de “O Livro dos Espíritos” apresenta-nos o seu diálogo com os Espíritos superiores a respeito de Deus. Neste capítulo, aprendemos: que Deus é a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas; que a prova da existência de Deus está no axioma: não há efeito sem causa; que na obra da Natureza devemos procurar a prova da existência de Deus e que através dela podemos conhecer a inteligência do seu Autor; e que os atributos de Deus levam-nos a considerá-Lo eterno, infinito, imutável, imaterial, único, todo-poderoso e soberanamente justo e bom.

Além disso, Allan Kardec, no Capítulo II, da Terceira Parte desse mesmo livro, tratou da Lei da Adoração a Deus, mostrando-nos: que a verdadeira adoração é a do coração; que a prece a Deus deve ser feita com fé, fervor e sinceridade, para louvar, pedir ou agradecer; e que a prece a Deus deve estar sempre aliada à prática do bem e das boas obras para subir acompanhada de méritos.

Estes ensinamentos do Espiritismo devem ser transportados para a nossa vida em família. Assim, confiamos em Deus e em Suas Obras, em Seus Desígnios e em Suas Vontades.

Quando inserimos Deus em nossa vida familiar, adoramo-Lo através de nossas preces e de nossas condutas elevadas. Assim, mantemos um estilo de vida nobre, e vivemos confiantes no amor e na sabedoria, bondade, justiça e misericórdia de Deus.

Com Deus na vida familiar, valorizamos a nossa religiosidade e temos fé no amparo do Pai Eterno, quando enfrentamos as contingências da vida material.

Quando a nossa crença em Deus está alicerçada na prática do amor, garantimos a presença de Deus no ambiente doméstico, pois, como nos ensina o Espírito Emmanuel, através da mediunidade de Chico Xavier:

“… onde o amor se faz presente aí está Deus. E onde Deus está nada falta, para que sejas feliz.” (Fonte: Mensagem “Aprendizado de Amor”, livro “Seara de fé”, edição IDE.)

Geziel Andrade, Amor e Vida em Família – Ed. EME

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Eutanásia animal

A revista mexicana” La Voz de los Animales” considera que o abandono de animais (de estimação) é para eles o pior castigo; recomenda que é preferível proporcionar-lhes morte piedosa (se possível, sob cuidados de um veterinário).

Conquanto a admiração que nutrimos por aquela revista – toda ela dedicada à proteção dos animais – respeitosamente discordamos. Discordamos porque, como cristãos, jamais poderíamos aceitar um ou outro procedimento, à guisa de tal ser imperativo. Se é ruim o abandono do animal que conviveu longos tempos sob a proteção do seu dono, pior será sua execução, quando tal proteção não mais seja possível. O fato é que não se deve descartar de um animal de longa convivência doméstica como se desfaz de um chinelo velho: qualquer argumento falecerá ante as regras da vida e da ética.

Morte piedosa do animal, talvez, só quando o veterinário atestar que traumas ou doenças sejam irreversíveis, além de acompanhadas de dores insuportáveis.

Obs: Não podemos confundir fatos e nem devemos nos esquecer que no O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. V, nº 28, consta ser grave equívoco a eutanásia, sob o pretexto de carma sendo esgotado nos casos de doenças incuráveis, com desencarne previsto pela medicina. O espírito humano tem aí (paciente terminal) preciosíssima oportunidade de reflexão e arrependimento, crescendo às vezes num minuto o quanto não o fez na vida toda.

Quanto ao animal, possuindo também uma alma, embora diferente da humana, não lhe é acometido carma nem bom, nem mau – por não possuir livre arbítrio, nem lhe ocorrem reflexão ou arrependimento, em qualquer instante, de atos praticados durante sua vida (por não possuir consciência). Dever cristão é que impõe ao dono ampará-lo até o último sopro de vida, para morrer em paz e para com gratidão ao ser humano chegar às regiões espirituais que Deus lhe concede.

Eurípedes Kuhl, Animais nossos irmãos – Ed. Petit

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Comportamento

Logo depois, aproximando-se os que ali estavam, disseram a Pedro: verdadeiramente és também um deles, porque o teu modo de falar o denuncia.  (Mateus, 26:73)

O talhe de vida de um médium não deve fugir da decência, de sorte a alcançar outras qualidades reunidas e ensinadas pelo Evangelho, porque o seu modo de ser o denuncia, sem que ele possa empanar o que verdadeiramente é.

A Doutrina Espírita poderá ser muito dignificada pelos seus seguidores, desde que esses observem os preceitos estruturados por ela e alarguem o poder de vontade na área da vivência. Certamente que depende de muito esforço.

Reencarnar é crucificar-se no lenho do corpo, como escola de regeneração. Mesmo sendo a reencarnação um patíbulo de agressões múltiplas, existem milhões de almas esperando a sua vez. E quando nos encontramos na arena da Terra, devemos envidar todos os nossos esforços na assimilação do melhor remédio da vida – o Amor. O comportamento cristão é a mela. O Espírito na carne é uma mensagem de cristo, é uma carta aberta de Deus. Como lemos nos outros, alguém está nos lendo. E nas entrelinhas dessa carta, escrevemos o que somos, denunciando-nos a nós mesmos. Se faltar a vigilância, é certo que não poderemos dar mais do que temos. No entanto, o esforçarmo-nos está nas nossas mãos.

Operemos neste sentido, que Deus e Cristo farão o resto por nós. Revistamo-nos, pois, com o manto espiritual, conscientizados de que a nossa defesa parte de Deus e amplia-se em Jesus por nosso próprio intermédio. Se a calúnia nos visitar por invigilância dos outros, não façamos o mesmo. O revide nos nivela ao agressor, deixando-nos sem condições de ajudar.

A mediunidade é um instrumento, senão uma luz que nos clareia a todos, quando a inteligência se irmana com o coração, para usá-la em favor do bem comum, sem exigências de forma alguma. A mente disciplinada favorece o intercambio das almas afins. Todos nós, encarnados e desencarnados, somos médiuns por natureza divina e humana. O modo pelo qual nos comportamos é que marca o grau das faculdades que possuímos.

O Cristo criou uma escola educativa, dando como exemplo a sua própria vida e tendo como seus primeiros alunos os doze discípulos. Allan Kardec fez reviver o Cristianismo nos conceitos da codificação, vendo na mediunidade uma fonte inesgotável para grandes revelações, e nos médiuns, novos discípulos do Mestre, desde que revivessem o Evangelho no passar de cada dia.

Essa operação gasta igualmente tempo. E esse tempo nos promete uma reestruturação nos códigos das outras filosofias religiosas, para que todos possamos nos irmanar pela convivência da própria luz. O comportamento do médium denuncia com que ele anda. A sua boca revela as suas próprias companhias e as suas vibrações despertam nos outros os impulsos que as alimentam. Temos, na Doutrina dos Espíritos, uma das universidades educacionais e nos seus profitentes os chamados e escolhidos para o aprendizado. Se nos primeiros momentos da concepção começa o “calvário” da alma, exigindo dela esforço e fé, o ingresso dela nas hostes educativas de Jesus, conscientizada, exige esforço dobrado. É guerra sobre guerra, é luta sobre luta, porque a ascensão custa suor e dor.

Tratamos aqui do médium espírita, a quem foi dado muito e é pedido mais. Comparamos o sensitivo da Doutrina dos Espíritos à samaritana, que antes tomava água do mundo e tornava a ter sede. Todavia, quando se encontrou com o Mestre, pelas vias do Espiritismo, saciou a sua sede para sempre e, ainda mais, tornou-se um poço inesgotável. Tendo todos os meios de comprovações pelos métodos indutivos dos místicos e dos santos, a intuição pura rasga os véus tecidos pela ignorância e faz com que a alma beba os conhecimentos do Suprimento Maior. Não obstante, essas vias de acesso ao esplendor mediúnico requerem demasiada tolerância, caridade, trabalho e fé, que levam o Espírito a sentir e a praticar o verdadeiro amor, na dimensão de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Mudar a vida que sustentamos com milhares de enganos, sabemos que não é fácil. Porém, se fosse impossível, não falaríamos disso. Eis o exemplo de Paulo de Tarso, depois do caminho de Damasco. Jesus não procurou almas perfeitamente sadias de corpo e de espírito; Ele escolheu a todos, mas somente chama aqueles dispostos a segui-Lo, porque sabe, por conhecer as leis, que toda cura obedece à gradatividade. Depois que já estivermos dominando a nós mesmo na esfera do bem, como médiuns do amor, vamos sentir a felicidade de ouvir, aceitando o que o apóstolo Pedro ouviu, negando.

João Nunes Maia/Miramez – Médiuns – Editora Fonte Viva

 

 

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Mantras

Os mantras são auto sugestões alciôneas, capazes de nos tirar do caos, dando-nos momentos de felicidade e abrindo caminhos para que possamos nos libertar dos fustigantes pensamentos de inferioridade. O esoterismo, tanto quanto o ocultismo em geral, nos ensina a repetição de palavras que eles enumeram como sendo sagradas. São frases lapidadas com a mais completa harmonia, cujo som desperta em nós certo interesse pelo assunto. E ainda mais, são pensamentos positivos, de ânimo, de entusiasmo, de alegria, de prazer.

Todo o Evangelho do Cristo são mantras divinos, preparados por Jesus, para a felicidade dos homens. Eis por que a linha cristã, dedilhada por Lutero, faz maravilhas dentro da crença, desentulha a dúvida do candidato e obriga-o a decorar todos os versículos. Sugestionado pelos mais velhos, ele, o iniciante, acaba se auto sugestionando com a cadência deslumbrante da musicalidade da Boa Nova do reino, modificando o seu sistema de vida, ampliando seu conceito de moral e reagindo completamente no tocante ao seu próprio corpo físico, de maneira que a mente comande, com vantagens, todas as ordens e processe meios de paz, desde o corpo espiritual até o físico. As glândulas se empenham em serviços renovados, entregando, através do sangue, elementos aos pontos chaves do corpo, em completa estratégia para o equilíbrio de todo o organismo. Isso, na verdade, vos dizemos, é serviço da fé.

Os exercícios espirituais de Inácio de Loiola capacitavam-no para grandes coisas, como também a seus comandados. Repetiam tanto determinados conceitos, que acabavam crendo naquilo que impunham a si mesmos.

A criancinha de berço, quando pronuncia as palavras papai e mamãe, já ouviu esses sons inúmeras vezes e os tem como sons sagrados em sua vida, pois são mantras de segurança, de vida, de amor e de carinho.

Por que não alimentarmos ideias afáveis, conexas ao amor? Por que não nutrirmos pensamentos bem soantes, coerentes com a caridade? Por que não fortalecermos emoções amoráveis, dimensionadas com o perdão?

Companheiro, se estais sujeito ao por quê, se não experimentastes, ainda, o estímulo mencionado e careceis de uma ajuda, é o que estamos tentando. Começai hoje. Pensai agora na dinâmica de alegria e fazei chover esse estado de alma em sua mente. Esforçai-vos e senti a alegria invadir vosso ser e, depois ela surgirá, ampliada, nos corredores da espontaneidade.

Vejamos um mantra que ficou famoso pela sua composição sábia e pelo valor do seu sentido na vida dos que sofrem: “Hei de vencer”. Colocando esta frase na mente, sem hesitar, ela faz milagres, porque não só encoraja a alma nas lutas diárias, como estimula reações químicas no corpo físico.

A hipnose se processa por mantras. O comércio, a política, a filosofia, a religião, etc., tudo isso tem vida por causa da repetição. É certo que devemos nos livrar do fanatismo, que não condiz com o bom senso. O uso dos mantras é uma ciência, e toda ciência bem aplicada tem seus métodos.

A prece não é mais nem menos que um mantra poderoso que nos alivia, predispondo-nos às lutas, ou até ao sacrifício. O “fora da caridade, não há salvação” tornou-se um mantra que faz o espírita se desdobrar no serviço assistencial. A reencarnação é um mantra de verdade, que estimula o encarnado a ter mais esperança, pois prova que ninguém morre. Tomamos corpos como vestimos roupas.

A fé é um mantra poderosíssimo. De acordo com o grau que se a possui, levanta os caídos, cura enfermos e transforma a água suja da nossa vida em vinho celestial de virtudes evangélicas.

Ao deitardes, deixai em vossa mente, antes do sono, palavras de conforto, de ânimo, de fé e de alegria. E ao acordardes, fazei o mesmo. Durante o dia, nunca deveis esquecer a atitude daquele que quer sempre vencer. Vós mesmos podeis compor o vosso mantra, sem que nele mencioneis coisas negativas. “Sou feliz e alegre porque tenho amor”, eis uma amostra para que dela possais partir para outros da mesma consonância.

João Nunes Maia ditado pelo Espírito Miramez – Horizontes da Mente

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Significação do Natal

Jesus está mais próximo na época do Natal: percebem-se um sutilizar de vibrações, um renovar de esperanças, um renascer da Boa Nova, mais fé e amor.

Se, para muitos, por falta de compreensão, o Natal é festa quase pagã pela gula, extravagância e ostentação, para os verdadeiros cristãos deve ser um impulso de confraternização e sentimento de regozijo espiritual a se estender pela eternidade afora, irradiando para o mundo todo, com o que este encerre de belo e de disforme, de suave e de áspero, de bom e de mau, pois, se houver amor e boa vontade, tudo se afeiçoará às leis do Criador sábio e magnânimo que nos atribui responsabilidades e concede recursos para elevação própria e auxílio a todos.

Seja o Natal de Jesus efeméride permanente em nossos corações, para que em toda parte haja um raio de amor e uma centelha de entendimento.

Edgard Armond pelo Espírito Bezerra de Menezes, Comentários Evangélicos – Editora Aliança

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Comemorando o Natal

“Glória a Deus nas alturas, paz na Terra, boa vontade para com os homens.”

 (Lucas 2:14)

Foi este o cântico entoado pelos anjos em presença dos pastores de Belém, anunciando-lhes que era chegado o Salvador ao mundo. Acorreram então os humildes pastores, jubilosos, ao encontro do menino Jesus, levando-lhe o carinho de seus singelos corações e, louvando a Deus por sua infinita generosidade para com as criaturas.

Novamente ouvem-se na Terra as palavras do cântico celeste, anunciando o Natal do Mestre. E esse cântico vos faz refletir: Como seria possível glorificar o Senhor de toda a glória e poder? Como se poderia ver realizado o ideal de paz na terra, e boa vontade entre os homens?

Podeis render homenagem a Deus pela sincera disposição de serviço cristão, assim dando testemunho de que o reconheceis como Senhor de vossas vidas. Podereis glorificar o Criador permitindo que viva o Mestre em vossos corações, dedicando as mãos ao serviço da caridade fraterna, e colocando vossa palavra à disposição do trabalho de esclarecimento evangélico da humanidade.

Desejaríeis ver cumprida a palavra das hostes angélicas: “Paz na Terra”. Começai por pacificar vosso próprio coração, assim diminuindo a inquietação em vossos lares e ambientes de trabalho. Dai exemplo de um vida harmoniosa e singela, de mansidão e quietude em Jesus, e estareis contribuindo, ainda que modestamente, para a concretização do maravilhoso ideal de paz entre os homens.

Seja este Natal comemorado entre vós pelo decisivo despertamento da centelha crística em vosso íntimo; permiti que nasça o Mestre em vossos corações. Esta, a melhor e mais santa celebração do dia que separastes para comemorar o nascimento, em corpo de carne, do Salvador entre vós.

Edgard Armond pelo Espírito Bezerra de Menezes, Comentários Evangélicos – Editora Aliança

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O Novo e o Velho

Era uma manhã ensolarada. O sol, que acabava de despontar no horizonte, iluminava a montanha coberta por uma floresta verdejante à direita e tornava azuladas as águas do mar à esquerda.

Um rapaz de seus 15 ou 16 anos caminhava pela praia nesta manhã e reparou que ela estava repleta de pequenos seres marinhos, arrastados pela maré noturna para as areias que se tornavam cada vez mais aquecidas pelo calor do sol que se elevava cada vez mais do horizonte e se tornava uma ameaça às suas vidas frágeis.

A praia de areias brancas se tornou acinzentada pela enorme quantidade destes seres conhecidos como bolachas do mar. Estes pequenos seres possuem pernas minúsculas como filamentos adaptados a caminhar dentro d’água, mas não fora dela.

Por isso não conseguiam por si só retornar ao mar. Eram milhares. Não. Milhões deles espalhados por toda a extensão da praia. Na verdade era um número incontável deles ali se aquecendo perigosamente ao sol nascente daquele horário da manhã.

O rapaz ficou admirado com a quantidade destes pequenos animais por ali, mas, segundo ele mesmo, nada poderia fazer por eles e, despreocupadamente, continuou a caminhar pelas areias macias e úmidas daquela praia em seu passeio matinal daquele domingo ensolarado.

Mais adiante, naquela praia deserta, o rapaz encontrou um senhor que deveria ter seus setenta ou talvez até oitenta anos de idade, a julgar por seus cabelos grisalhos e sua pele envelhecida e sulcada.

Aquele senhor, que pela idade andava encurvado, abaixava repetidas vezes para alcançar com as mãos os pequenos animais ressequidos, mas ainda vivos, que espalhados pela areia, esperavam pela alta da maré para sobreviverem, recolhendo alguns daqueles que apanhava e os colocava dentro de um pequeno recipiente plástico. A pequena vasilha estava abarrotada destes pequenos seres marinhos e de tempos em tempos o senhor andava até o mar com uma dificuldade evidente em sua caminhada e despejava todo o conteúdo dentro da água salgada e salvadora.

Todos aqueles animais que estavam dentro do recipiente eram devolvidos ao mar e encontravam a salvação de que necessitavam antes que o sol os matasse desidratados.

Com muita dificuldade o senhor de costas arqueadas e braços trêmulos retornava à praia para recolher mais uns dez ou doze destes pequenos seres com seu andar lento e medido.

O rapaz viu o esforço do velho senhor e seu empenho em recolher pequenas quantidades daqueles pequenos animais que não poderiam retornar ao mar sozinhos. O rapaz ficou ali a observar o trabalho daquele senhor por alguns minutos e ficou pensativo ao verificar a quantidade daqueles animais espalhados por toda a praia.

A praia estava abarrotada, o que o senhor recolhia era insignificante se comparado ao total de animais espalhados pela areia. O rapaz ficou tocado pelo esforço que o senhor empenhava naquela coleta que pouco ajudaria a resolver o problema daqueles milhões de animais.

Não se contendo, o rapaz se aproximou daquele senhor e perguntou a ele: “Por que tanto esforço para recolher apenas alguns destes animais? Não percebe que são milhões deles? Não é possível salvar todos. Vale a pena tanto esforço para salvar apenas alguns? Creio que não fará diferença devolver apenas alguns deles à água, pois são milhões deles espalhados por toda a extensão da praia.”

O velho senhor, que até então estava com seus pensamentos voltados para a sua atividade solitária, olhou para o jovem e em seguida olhou para o chão onde estavam os pequenos seres que precisavam de sua ajuda e continuou com seu trabalho de recolher um a um os animais e em seguida disse, sem parar de fazer o que fazia: “Para este – falou ele, mostrando um dos animais ao jovem – fará diferença.”

Depositando o espécime no balde, apanhou outra bolacha do mar e mostrou ao rapaz, dizendo novamente: “Para este também fará diferença.” Em seguida pegou mais uma e disse novamente: “E para este também, e este, e este, e este…” – Repetiu ele, várias vezes a mesma frase, a cada vez que pegava mais um daqueles animálculos, antes de depositá-los no recipiente que carregava com zelo.

O rapaz ficou pensativo e ao mesmo tempo admirado com o argumento simples daquele senhor, que parecia mais preocupado em prosseguir com seu trabalho do que conversar. Por alguns minutos o rapaz ficou pensativo.

Então o rapaz de cabelos descoloridos por alguma substância química que os tornava amarelados olhou para trás e mediu com os olhos a extensão da praia coberta por bolachas do mar, e depois para frente.

Pensativo ele coçava a cabeça como tentando entender o ponto de vista do homem zeloso com os animais. Alguns minutos depois era possível ver os dois, o velho e o novo, recolhendo os animais e devolvendo para o mar.

Texto extraído do capítulo Pequenas Histórias, Grandes Consequências, do livro: Os Animais Conforme o Espiritismo, de Marcel Benedeti – Editora Mundo Maior.

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Oração

Ao despertar, enquanto você abre os olhos e se espreguiça na cama, seja para o Senhor da vida o seu primeiro pensamento. Meditando em tantas coisas que logo mais lhe tomarão todas as horas do dia, sem lhe deixar tempo para telefonar para o amigo que há muito não vê, ou almoçar com a família, eleve a Deus o seu pensamento e lhe diga:

Senhor, acalma meu passo.

Desacelera as batidas do meu coração, acalmando minha mente.

Diminui meu ritmo apressado com a visão da eternidade do tempo.

Em meio às confusões do dia-a-dia, dá-me a tranquilidade das montanhas.

Retira a tensão dos meus músculos e nervos com a música suave dos rios de águas constantes que vivem em minhas lembranças.

Ajuda-me a conhecer o poder mágico e reparador do sono.

Ajuda-me a me preparar bem para o repouso de todas as noites, lembrando-me sempre que enquanto dorme meu corpo, eu, Espírito, adentrarei o verdadeiro mundo e irei aos lugares que a minha mente elegeu como meu tesouro.

Ensina-me a arte de tirar pequenas férias: reduzir o meu ritmo para contemplar uma flor, papear com um amigo, afagar uma criança, ler um poema, ouvir uma música preferida.

Ensina-me a ter olhos de ver a beleza do céu azul, um raio de sol, a chuva da tarde, o cair da noite, com seu manto aveludado bordado de estrelas.

Acalma meu passo, Senhor, para que eu possa perceber no meio do incessante labor cotidiano dos ruídos, lutas, alegrias, cansaços ou desalentos, a Tua presença constante no meu coração.

Acalma meu passo, Senhor, para que eu possa entoar o cântico da esperança, sorrir para o meu próximo e calar–me para escutar a Tua voz.

Acalma meu passo, Senhor, e inspira-me a enterrar minhas raízes no solo dos valores duradouros da vida, para que eu possa crescer até às estrelas do meu destino maior.

Obrigado, Senhor, pelo dia de hoje, pela família que me deste, pelo meu trabalho e, sobretudo, pela Tua presença em minha vida.

Tudo isto Te peço, Senhor, pois se estás comigo, em nenhum lugar me sentirei triste, porque, apesar da tragédia diária, Tu enches de alegria o Universo.

Se estás comigo, não tenho medo de nada, nem de ninguém, porque nada posso perder e todas as forças do Cosmos são impotentes para tirar-me o que me pertence, na qualidade de filho de Deus: o Teu amor.

Se estás comigo, tudo executarei em Teu nome.

Enfim, em nenhum lugar me sentirei estranho, deslocado, porque estás em todas as regiões, na mais suave de todas as paisagens, no limite indeciso de todos os horizontes.

* * *

A brisa refrescante que arrefece o calor dos dias de verão somente nos beneficiará se a respirarmos compassadamente.

Somente poderemos sentir a chuva benfazeja que se derrama sobre larga faixa terrestre, trazendo a fertilidade ao chão e alimentando as fontes, se alongarmos as mãos para recolher o líquido precioso.

Também as bênçãos de Deus se espelham sobre todas as criaturas, porém, para que as possamos sentir, dulcificando-nos as vidas, é preciso que nos unamos, em sintonia feliz, a essas faixas de luz.

E esta sintonia se chama oração.

(Redação do Momento Espírita, com base no cap. 3 do livro “Rosângela”, pelo Espírito Rosângela, psicografia de Raul Teixeira, ed. Fráter e no texto “Se amas a Deus”, de Amado Nervo, do livro “Um presente especial”, de Roger Patrón Luján, ed. Aquariana.)

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Prece às Estrelas

As estrelas correspondem à nossa afeição. Elas são mundos doadores de luzes em todas as direções e essa energia divina que viaja pelo espaço infinito se agrega aos Espíritos e às coisas, transformando-se de acordo com as nossas necessidades físicas e espirituais. Porém, ao praticarmos a oração, o enriquecimento desse energismo é sobremaneira grandioso.

Deves saber que tudo vive na sensibilidade que Deus lhe deu, que tudo sente a afabilidade que transmitimos, que tudo se encontra em perfeita sincronia, na casa universal.

Nada resiste ao amor. Se amas uma simples pedra, na feição divina do termo Amor, ela te responderá, no silêncio que é peculiar ao seu estado, em doações sutis que por vezes não percebes, mas que são valores imortais. Assim são as plantas, os animais e todas as coisas existentes: mundos, sóis, Espíritos e Aquele a quem devemos toda reverência.

Se queremos buscar a harmonia orgânica e psíquica de todas as nossas vestes, a sintonia com as estrelas nos será um caminho satutar. Devemos emitir pensamentos de humildade e gratidão às luzes benfeitoras e elas descerão a nós, por meios que ainda desconhecemos, a nos atender em nossas necessidades, como mãos de Deus nos ofertando saúde e alegria, paz e amor.

Os Espíritos encarnados e desencarnados devem agradecer ao Pai Celestial esse dom divino de pensar, essa faculdade que transcende a todas as ciências terrenas e cuja engrenagem se esconde nas dobras dos séculos incontáveis. O pensamento é uma força de Deus nas almas. Por ele, poderemos estar presentes em toda a criação e com o empuxo evolutivo da mente, a energia mental é capaz de buscar todo o oculto exterior, revelando-nos os segredos gradativamente, de acordo com o nosso avanço espiritual. Pensar é trazer para junto de nós os recursos de Deus, que se encontram no suprimento universal. As idéias que transmitimos levam consigo as imagens dos nossos sentimentos, nas direções que desejamos.

Quem não sente alegria ao contemplar um céu estrelado? Nele se desenha a figura majestosa do Criador e do poder sem limites da sua incomparável vontade.

As estrelas vibram permanentemente o amor que recebem do grande Foco Universal e, se procurarmos entender essa mensagem, ela será mantenedora do nosso equilíbrio e nos tornaremos amigos dessa fonte inesgotável de amor.

Entremos em comunhão com as estrelas pelas portas da prece, iniciando nossa conversa com elas sem fanatismo, entendendo que as estrelas não são simples luzes a enfeitar o firmamento, mas sim mundos radiantes de luz e energia. Façamos isto e a vida maior saberá recompensar os nossos esforços. A base maior é a confiança. Deus é o doador, que está presente em todas as coisas, mesmo naquilo que pensas ser o nada. Tudo o que existe está ligado a Ele e sem Ele nada existirá.

Disse Jesus: “Na casa de meu Pai, há muitas moradas”. As moradas são incontáveis, de toda ordem, de variados tamanhos e idades, carregando humanidades, funcionando como escolas e presídios, como hospitais e como ambientes de refazimento. Podes ajudar a muitas dessas casas com a tua prece de amor, emitida com humildade. O carinho é uma força construtiva, que nunca encontra barreiras para ajudar; desconhece distâncias e, por onde passa, deixa seu traço de entendimento.

Tudo que fizeres, se for feito com amor, estará curando a ti mesmo, ou te prevenindo do assalto de todos os desequilíbrios que porventura possam chegar às tuas portas. A oração às estrelas é uma força, no reforço para a tua paz de consciência.

João Nunes Maia pelo Espírito Miramez, Saúde – Editora Fonte Viva

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Respondendo e Esclarecendo sobre a Prece

A prece deve ser dirigida a Jesus Cristo ou a Deus?

A prece, quando é anseio legítimo e impulso profundo da alma, vence as resistências naturais do envolvimento fluídico do globo e ascende a esferas altas, o quanto alcance, onde é recebida e analisada; e o atendimento se dará conforme o mérito e quando for julgado justo e não inconveniente ao progresso espiritual do solicitante; mas em todos os casos, sempre exite uma grande margem para a manifestação da misericórdia divina em benefício do necessitado.

Não importa, portanto, que seja dirigida a Deus, ou a deuses ou santos de outros credos.

Qual a diferença ente oração e prece?

Doutrinariamente há diferença entre oração e prece. A oração, entendida como prece pode, também ser uma prédica, um discurso, enquanto que prece é sempre uma ligação espiritual com o Alto ou com benfeitores espirituais.

Vibrações e preces são a mesma coisa?

Vibração, como doutrinariamente se define, é um ato mental e sentimental conjugados: o Espírito encarnado, pela ação da vontade, emite, através da mente, ondulações energéticas para benefício de determinada pessoa necessitada, em presença ou a distância. Nos casos de cura, por exemplo, a emissão é para socorrer doentes e necessitados em geral e, se for feita com amor e desejo firme de obter os resultados esperados, as ondulações vibratórias terão muito maior intensidade e os efeitos serão muito mais positivos.

Para isso, o Espírito doador movimenta os sentimentos que atingem o alvo na forma de calor e luminosidade, sendo os melhores possíveis, os resultados do atendimento.

Não confundir, porém, esse tipo de vibração com outra, material, mecânica como, por exemplo, a de uma cordea de violão que se distende e depois se solta fazendo vibrar o ar ambiente, produzindo som mais alto ou agudo, segundo a amplitude da distensão e a rapidez das oscilações da corda ao voltar a seu ponto de estabilidade anterior.

E quanto à prece, esta é também uma projeção mental e ao mesmo tempo um arroubo da alma, expressando um desejo, ou uma súplica que se dirige a poderes espirituais mais elevados e que, conforme sua intensidade e pureza, atinge regiões mais altas ou menos altas, na subida para sua meta.

Se a prece for simplesmente mecânica e não tiver vibração sentimental que baste, não conseguirá romper a massa escura e densa da atmosfera, não atingirá o alvo visado e não produzirá os efeitos que desejamos alcançar.

A Doutrina Espírita proíbe ajoelhar-se ao fazer prece?

Não há proibição mas, para fazer preces é indiferente a posição que se toma, os gestos que se fazem, porque a prece é um ato psíquico mental, não material.

Qual o valor das preces mortuárias?

Como o Espiritismo não tem ritos nem cerimônias, para a despedidad daqueles que se retiram da vida terrena, bastariam as vibrações e as preces em comum, caso desejem que sejam feitas. Mas estas terão valor muito relativo, porque o que vai ser de utilidade maior àquele que desencarne será a conduta que teve, os atos que praticou, a pureza dos sentimentos, não sendo necessário nem cabível a espíritas solicitar cerimônias mortuárias de outra religião, a não ser que desconheçam a Doutrina, ou sejam simples aderentes de superfície.

Que se pode tirar de utilidade em se fazer concentrações demoradas e preces mil vezes repetidas, mas em nada se vê alterar o procedimento?

Deus está em tudo, como um alento de vida, como o perfume em uma flor; tudo vê, tudo sente e tudo sabe. Nós somos uma partícula de Deus evoluindo na matéria e se, em nossas concentrações e preces, conseguirmos sintonizar com Ele, passaremos também a sentir e ver e saber muito mais além da nossa cegueira natural de seres encarnados e retardados.

A busca de Deus e a aproximação com Ele por meio da concentração e da prece, fugindo às neuroses e às maldades do mundo, somente nos engrandecem espiritualmente se formos sinceros, humildes e suficientemente penetrantes.

Tanto mais os seres humanos sintonizam com Deus, tanto mais capazes se tornarão de traduzir as Suas leis e interpretá-las aos semelhantes, agindo como mensageiros Seus, porta-vozes Seus.

Outra coisa a esclarecer é que a maior parte das preces visa pedir benefícios pessoais, ao invés de ter em vista sobretudo a comunhão com Ele e com nossos semelhantes em sentido universal.

E muitos fazem suas preces sem primeiramente limparem seu coração de suas maldades e suas mentes de seus pensamentos inferiores, muitas vezes maléficos ou egoístas. Que benefício esperam assim obter?

Edgard Armond, Respondendo e Esclarecendo – Editora Aliança

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