Uma técnica através de anotações

“Não julgueis o caminho de outro homem antes que tenha caminhado uma milha com seus mocassins”.

(Dizer dos Índios Pueblos)

A busca do autoconhecimento passa sempre pela análise que fazemos dos nossos sentimentos. Para isso poderemos dispor de alguém que nos auxilie nessa análise que, em casos específicos, poderá ser de atovalia, ou enfrentaremos “essa jornada” sozinhos, quando seremos nossos próprios “analistas”.

Uma técnica, que tem sido de grande utilidade, é a realizada através de anotações, quando utilizando-se de uma metodologia bem definida, passamos a fazer anotações em uma caderneta, de fatos, sentimentos, atitudes e decisões que envolvem nosso dia-a-dia e que podem estar ligados ao nosso desenvolvimento evolutivo. Essa técnica de anotações, que aqui apresentamos, não é nenhuma novidade para quem conheceu as primeiras Escolas de Aprendizes do Evangelho da Federação Espírita do Estado de São Paulo, as da Aliança Espírita Evangélica (desde 1973), as da Fraternidade dos Discípulos de Jesus – Setor Três, e as da União Fraternal.

O que procuraremos aqui apresentar é uma metodologia objetiva, que poderá ser utilizada tanto por aqueles que desconhecem tal técnica, quanto por aqueles que as conhecem e desejam conseguir melhores resultados em sua utilização.

Material a ser utilizado

Uma caderneta, preferencialmente de pequenas dimensões (por exemplo, de 10cm por 15 cm), com cerca de 100 páginas e pautada. É importante que seja pequena para que possamos transportá-la facilmente, de forma que a tenhamos disponível quando for necessário.

Frequência de uso

Não existe uma regra que indique o espaço de tempo ideal entre as anotações, entretanto, um período de análise adequado é o ciclo de uma semana, pela rotina de vida que ela representa em nossa vida. Anotações mensais também poderão ser adequadas, quando já tivermos vencido os grandes obstáculos de nossa reforma íntima, quando já não sofrermos tantas frustrações e quando deixarmos de viver constantemente com problemas de saúde. Em muitos casos, poderá ocorrer a necessidade de anotações diárias, mas devem ser estas em casos excepcionais, quando houver uma inter-relação entre elas, ou seja, adotaremos como proposta a anotação semanal, afinal isso só poderá nos favorecer em sermos objetivos em nosso trabalho de auto-reformulação.

É importante que seja colocada a data (dia, mês e ano) no início de cada anotação para que possamos acompanhar a sequência dos fatos e das propostas que fizermos. A cada dois ou três meses, é importante fazermos uma análise das avaliações realizadas no período, e fazermos um breve comentário sobre os êxitos por nós alcançados e sobre pontos críticos que deveremos atuar com mais empenho em nossa reforma. Essa anotação será como um fechamento do período.

Característica das anotações

Devem ser anotações sucintas, mas contendo toda uma estrutura que permita, com facilidade, realizarmos a nossa auto-análise, que é o nosso objetivo. Dessa forma as anotações deverão conter, além da data inicial, os seguintes tópicos:

  • Fato ocorrido comigo, onde a minha ação causou-me frustração ou surpresa, pela minha mudança de atitude.
  • Sentimento Defensivo meu causador da atitude, identificável pela ação ou pela somatização ocorrida.
  • Atitude adequada a ser tomada por mim em situações semelhantes futuras.
  • Ação corretiva, regeneradora ou minimizadora dos atos nocivos, por mim provocados, que envolvam meu semelhante, quando for necessário. Em alguns casos, durante o fato ocorrido chega-se a realizar a ação corretiva, assim sendo, deve-se relatá-la na anotação. É importante entender-se que a ação corretiva, regeneradora ou amenizadora não poderá ser a causadora de uma nova frustração o que significaria que o problema de reformulação inicial não foi resolvido. Por exemplo: “… e após a briga pedi desculpas a ele, para amenizar a situação, mas permaneci com raiva”.

A primeira anotação que pretendemos fazer é sempre a mais difícil, pelo desejo de estar perfeitamente preparado para ela. Mas só perceberemos posteriormente, que é através de várias anotações que estaremos aprendendo a pôr em prática, com mais habilidade, essa técnica de auto-análise. Dessa forma para iniciar, bastará encontrar uma atitude minha que considere inconveniente, lembrar em que situação ela ocorreu ou ocorre; através da relação de ações ou da psicossomática apresentar o sentimento defensivo envolvido; e propor uma atitude reformuladora praticável, a ser utilizada.

Outra coisa importante é colocarmos a caderneta em local “visível” para lembrar sempre de usá-la e não ter preguiça de anotar.

Ubiraci de Souza Leal, Um só Caminho – Evolução, Saúde, Reforma Íntima – Ed. Aliança

Esse post foi publicado em Caderneta Pessoal e marcado , , , , , , , , , . Guardar link permanente.