Fraternidade do Cálice

Quem foi Maria Madalena?

No Evangelho de Lucas (10:38-39), vamos encontrar esta informação: “Entrou Jesus em casa de uma mulher chamada Marta. Tinha uma irmã chamada Maria”. No Evangelho de João (11:2), está escrito: “E Maria, cujo irmão Lázaro se achava enfermo, era a mesma que ungiu o Senhor com bálsamo e enxugou seus pés com seus cabelos”. Daí se deduz que Maria, irmã de Marta e Lázaro, é a mesma Maria Madalena que ungiu os pés de Jesus.

Então nos perguntamos – como é que Maria, educada em um lar tradicionalmente judaico, for para em Magdala?

De acordo com alguns historiadores, Maria se preparou para casar com um moço de raras virtudes. Porém, em Caná da Galiléia, onde se realizava a cerimônia nupcial, chegou o Divino Convidado, prendendo a atenção de todos com a sua bondade. Quando instado por sua mãe, transformou água em vinho. Modificou também o coração do noivo, que resolveu abandonar as alegrias terrestres pelo conhecimento da vida eterna que a convivência com o Mestre lhe proporcionaria. Maria, profundamente humilhada, se deixou tomar por sete “demônios”: vingança, revolta, raiva, orgulho, vaidade, ostentação e hipocrisia. O relato das Bodas de Caná só é mencionado no Evangelho de João (2:1-11).

Maria, de longe, acompanhava todos os passos de Jesus. Os seus ensinamentos começaram a emocioná-la de tal forma que fizeram nascer em sua alma um enorme desejo de se aproximar dele e voltar a ser a ingênua Maria de Betânia. Quando soube que ele iria almoçar em casa de um fariseu (Lucas, 7:36-44), entrou lá chorando, lavando os pés do Mestre com suas lágrimas, ungindo-os com bálsamo, enxugando-os com seus cabelos. Buscando, com este ato de arrependimento público, merecer o seu perdão, e receber, com a energia do seu amor, a força necessária para transformar todos aqueles demônios em anjos que a abrigariam do mal e fariam surgir uma nova mulher, dando paz ao seu coração.

Compreendendo agora o porquê dos acontecimentos que alteraram sua vida, passou a segui-lo em busca de aprendizado e do testemunho para recuperar as virtudes adormecidas.

Busquemos o Evangelho de Lucas (8:1-3). Ele nos conta que Jesus ia de cidade em cidade, de aldeia em aldeia, pregando o Evangelho do Reino. Os 12 iam com ele, bem como algumas mulheres, entre elas Maria Madalena, Joana de Cusa, Suzana e outras que o acompanhavam e o serviam com seus bens.

Foi tão marcante a atuação de Maria que, nos Evangelhos de Mateus (26:13) e Marcos (14:9), vamos encontrar as mesmas palavras: “Em verdade vos digo que em todo o mundo, onde quer que seja pregado o evangelho, também o que ela fez será contado para memória sua”.

Assistindo ao Mestre, alimentando os pobres, cuidando dos doentes, Maria foi conquistando amigos que a ajudaram a trocar o demônio da vingança pelo anjo do perdão, a revolta pela caridade, a raiva pela bondade, o orgulho pela humildade, a ostentação pela compaixão, a vaidade pela renúncia, a hipocrisia pela lealdade.

A sensibilidade de Maria fez dela uma discípula ativa na comunidade cristã. Acompanhou, ao lado de Maria de Nazaré e outras Marias, o Mestre de Jerusalém até o Calvário. Ainda lhe foi confiada a opornidade de ser a primeira a encontrá-lo após a crucificação. É ainda João (20:15-16), que registra o diálogo: “Ele lhe pergunta, por que choras, mulher? E quando ele a chama por Maria, ela o saúda dizendo – Raboni, que quer dizer Mestre”, provando assim a sua condição de discípula.

Finalmente encontramos Maria Madalena no plano espiritual rodeada de seres angelicais, que a ajudam a selecionar trabalhadores entre os seres redimidos pelo seu exemplo de humildade, dedicação e amor, organizando assim o seu grupo de assistência fraternal denominado Fraternidade do Cálice.

Por que Fraternidade do Cálice?

Porque só a criatura que esvaziou o cálice do sofrimento e da humilhação, conseguindo fazê-lo transbordar de amor e piedade, oferta aos sofredores do planeta, ajudando as vítimas da obsessão a se reerguerem, ensinando aos leprosos a manter a alma limpa e, aos aflitos de todos os matizes, a Bênção da Esperança na própria recuperação, para conseguir ir ao encontro de Jesus.

Notas:

*Magdala era uma cidade na margem oeste do Mar da Galiléia, seis quilômetros e meio ao norte de Tiberíades. Era um centro de pesca e de comércio de pescado. Ficava onde está hoje a cidade de El Mejdel.

*A cidade de Betânia existe até a atualidade. Localiza-se a 6 km de Jerusalém.

*Publicano (cobrador de impostos) quando conheceu Jesus, Levi se tornou o evangelista Mateus, um dos 12 apóstolos do Mestre. Escreveu o primeiro Evangelho de que se tem notícia. O evangelista Marcos era primo de Barnabé, companheiro de Paulo no início das pregações do apóstolo dos gentios.

*Após a morte de Jesus, Maria Madalena dedicou-se ao atendimento de leprosos nos arredores de Jerusalém e morreu abandonada em uma gruta da Judéia.

*Integra-se à Fraternidade do Cálice o Grupo da Castelã, que atende doentes encarnados com sérios compromissos espirituais. Colabora na preparação de crianças para encarnações de resgates.

*Outros dados sobre a vida de Maria Madalena podem ser encontrados no livro Maria Madalena – Discípula, Apóstola e Mulher, escrito por Esther de Boer, segundo documentos encontrados no Mar Morto e que estão em Berlim, no Museu Nacional, Departamento de Egiptologia, sob o nome de Papiro Berlinensis – 8502: o Evangelho de Maria, Apócrifo de João, a Sabedoria de Jesus e o Atos de Pedro.

Martha Gallego Thomaz, Histórias das Fraternidades – Fraternidade Assistencial Esperança

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