Animais e o Intelecto

Primeiramente, cabe-nos definir Intelecto. O dicionário Aurélio nos remete à palavra inteligência, que define como:

  1. Faculdade de aprender, aprender ou compreender; percepção, apreensão, intelecto, intelectualidade;
  2. Qualidade ou capacidade de compreender e adaptar-se facilmente; capacidade, penetração, agudeza, perspicácia;
  3. Maneira de entrender ou interpretar; interpretação;
  4. Acordo, harmonia, entendimento recíproco;
  5. Relações ou entendimentos secretos; conluio, maquinação, trama;
  6. Destreza mental; habilidade;
  7. Psicol. Capacidade de resolver situações problemáticas novas mediante reestruturação dos dados perceptivos;
  8. Pessoa inteligente.

É interessante que não há nenhuma informação que restrinja essa qualidade somente aos homens, já que a definição é genérica. E em busca de saber se os animais podem agir conscientemente diante de situações novas, demonstrando capacidade intelectual, encontramos vários pesquisadores trabalhando nisso. Evidentemente essa capacidade intelectual dos animais é inferior à dos seres humanos, mas nem por isso não devemos classificá-la como tal.

Vamos apresentar algumas informações ou relatos, para vermos se os animais podem agir intelectualmente.

Kanzi conhece 5 mil palavras

Se existisse escola para bonobos, Kanzi, criado no Centro de Pesquisa de Linguagem, da Universidade Estadual da Georgia, seria o professor. Ele entende 5 mil palavras em inglês (na maioria pronunciadas e não gesticuladas) e identifica objetos, pessoas e outros animais por fotos e imagens.

Também sabe fazer fogueira cortando galhos e ateando fogo com fósforo ou isqueiro e é fera em muitos games de computador (CHUECCO, F. – Quase Humanos? Newton – Tecnologia, Ciência e Vida nº2, São Paulo: Sinapse, s/d, p. 26 – 32)

Vejamos situações narradas na Revista Terra, artigo “Existo, logo penso”:

 “Ele jamais vai conseguir desse jeito”, pensou Betty, enquanto observava a tentativa desajeitada de um corvo macho de retirar a comida colocada no fundo de um longo tubo de vidro, usando apenas o bico. Os corvos são estudados no departamento de Ecologia Comportamental da Universidade de Oxford, na Inglaterra, que procura identificar comportamentos inteligentes nos animais.

Quando o corvo macho finalmente desistiu da comida no tubo de vidro, Betty aproximou-se com um pedaço de arame, dobrou-o na forma de um gancho e enfiou-o no tubo até o fundo, fisgando o petisco. Nas semanas seguintes Betty foi destaque nas principais revistas científicas do mundo. Pela primeira vez os pesquisadores haviam testemunhado um bicho capaz de lidar com um problema difícil, pensar uma estratégia engenhosa e até mesmo construir uma ferramenta para pôr em prática suas idéias. O autor da façanha era justamente Betty, um corvo fêmea que, em agosto de 2002, entrou para a história da ciência como o pássaro mais inteligente já estudado pelo homem. O feito de Betty é memorável, em primeiro lugar porque esse corvo demonstrou ter uma capacidade de raciocínio comparável ao de crianças de 4 anos de idade. Mas o que realmente surpreendeu os etólogos é que Betty era até então um pássaro comum, capturado e levado ao laboratório por acaso e sem nenhum tipo de treinamento especial para fazer o que fez. Até poucos anos atrás, esperava-se encontrar demonstrações de inteligência sofisticada no reino animal apenas nos chamados primatas, como chimpanzés, gorilas e orangotangos – e isso pelo simples fato de serem nossos primos mais próximos. Betty, enfim, nos obrigou a rever o preconceito de que ter “cérebro de passarinho” significa ter dotes intelectuais muito limitados.

Estudos recentes sobre a inteligência animal acumulam informações que nos obrigam a rever muitas das antigas opiniões sobre bichos, que, até bem recentemente, eram considerados desprovidos de memória, consciência e inteligência para resolver problemas. Pense no peixe do seu aquário, por exemplo. Não parace bastante idiota? Pois em um estudo publicado em setembro de 2003 na revista Fish and Fisheries, os biólogos britânicos Calum Brow, Keven Land e Jens Krause concluem, depois de uma década de pesquisas, que os peixes são criaturas “socialmente inteligentes, em busca de estratégias maquiavélicas de manipulação, punição e reconciliação, que exibem tradições culturais estáveis e cooperam entre si para inspecionar predadores e buscar alimentos”. Ao contrário do que sempre se acreditou, também, os peixes possuem uma ótima memória e são capazes de reconhecer colegas de cardume e de se lembrar de fatos passados.

Muito mais que instinto. Esses resultados indicam que os animais são muito mais parecidos conosco do que se supunha há até bem pouco tempo. Mais do que isso, nos obrigam a rever a idéia de que apenas os seres humanos têm a capacidade de sentir emoções, pensar e realizar operações lógicas de raciocínio para resolver problemas. (ROMANINI, V. – Existo, logo penso. In Terra, nº141, São Paulo: Jan/2004, p. 44 – 58)

Paulo Neto, Alma dos Animais – Estágio Anterior da Alma Humana? – Grupo GEEC

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