A Inteligência dos Animais e dos Homens

Debatem-se alguns filósofos: se o homem é animal, como justificar a superioridade intelectiva de alguns animais sobre alguns homens? (Talvez estejam se referindo aos povos primitivos, de vida rudimentar, cuja moral e selvageria extrema por vezes nos espantam. Tais criaturas, rareando cada vez mais sobre a Terra, em contato com missionários religiosos e com filantropos da civilização, demonstram ausência total de sentimentos éticos, ingenuidade inaudita e mediana assimilação de linguagem e aprendizados.)

Dissolve-se a dúvida quando verificamos que o cérebro humano, proporcionalmente maior, é o órgão que comanda, no corpo, as ações do espírito, com capacidade de resolver problemas por meio de ações contínuas, encadeadas.

Alguns animais demonstram habilidades, mas apenas fragmentos de solução a problemas que lhes sejam antepostos; demonstram rudimentar inteligência em casos ligados à provisão e conservação – nada mais.

Dizer que alguns animais são mais inteligentes do que algumas criaturas humanas, invocando a idiotia ou o mongolismo, constitui juízo apressado, desconsiderando as nuances da Lei Natural de Justiça, que, por meio da reencarnação, por vezes, compulsoriamente, cria obstáculos cerebrais. Tais deficientes assim vêm ao mundo para resgatar mau emprego de altíssimas potencialidades mentais ou intelectuais, feito em vidas pregressas. Agiram inteligentemente com crueldade e com isso amealharam hordas de terríveis inimigos, que avidamente os caçam, vidas e vidas adiante, para vingança. Encontrando-os, resguardados com a intransponível muralha da deficiência cerebral, nada podem fazer e acabam, eles próprios, desistindo, mais em razão do incessante progresso que rege a vida de todos os seres. Familiares de quem tem o cérebro assim bloqueado talvez sejam comparsas diretos ou indiretos das ações equivocadas que o passado indelevelmente registra na consciência de cada um.

Não poderíamos afirmar que todos os que apresentam tais dolorosos quadros vivenciais sejam réprobos, expiando o passado. Muitos talvez estejam em provações (o que é fundamentalmente diferente de expiação); outros, ainda, podem assim estagiar na carne, missionariamente.

Eurípedes Kühl, Animais Nossos Irmãos – Editora Petit

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