A Alma Animal Coletiva

Para alguns estudantes, parace algo difícil compreender a idéia da alma coletiva, mas seu símile, de origem oriental, talvez a torne mais inteligível. Pode-se comparar a alma coletiva à água contida num recipiente. Se tirarmos desse recipiente um copo cheio de água, teremos neste a representação da alma de um animal isolado. A água do copo está separada por determinado tempo da do recipiente e toma a forma do copo que a contém. Suponhamos agora que adicionamos na água do copo uma matéria colorante, que lhe empresta um matiz determinado. A matéria colorante simboliza, em nossa hipótese, as qualidades adquiridas pela alma isolada, durante a sua encarnação transitória.

A morte do animal corresponderá ao ato de verter a água do copo no recipiente. A matéria colorante se mistura então com a massa total do líquido, tingindo-a debilmente. De maneira análoga, as qualidades eduzidas pelo animal durante a sua vida, irão formar parte, depois da sua morte, da totalidade da alma coletiva. Depois disto, seria impossível tirar do recipiente um copo de água idêntica à do primeiro, e cada copo tirado de novo estará forçosamente matizado com a cor do primeiro copo. Se fosse possível tirar do recipiente exatamente as mesmas moléculas de água, de sorte que reproduzissem o primeiro copo, equivaleria a uma verdadeira reencarnação. Mas a alma transitória é reabsorvida pela alma coletiva, e assim se conserva cuidadosamente tudo o que foi adquirido durante a separação temporária.

Considerando em conjunto a evolução do reino animal, num momento dado não se tira um só copo do recipiente, porém muitos ao mesmo tempo, e cada um deles transmite à alma coletiva a sua parte de qualidades evoluídas. Num mesmo momento, manifestam-se muitas qualidades diferentes em cada alma coletiva, que se expressam de maneira peculiar em cada animal. Deste modo se adquire o instinto, que algumas espécies possuem congênitamente. No instante em que o patinho sei do ovo, busca instintivamente a água e mergulha nela sem medo algum, porém com grande consternação daquela que o incubou. Com efeito, o fragmento da alma-grupo que se encarna no pato, sabe perfeitamente, por anteriores experiências, que a água é o seu elemento natural, e os filhoter não temem obedecer ao seu instinto natural.

Constantemente se nota uma tendência cada vez mais definida para uma subdivisão determinada, que se manifesta de maneira curiosa, semelhante à divisão das células.

Podemos imaginar que na alma coletiva, que se supõe anima uma grande massa de matéria astral, começa a formar-se uma espécie de tenuíssima película, comparável a um tabique que gradualmente se fosse formando para separar a água de um recipiente. No princípio, a água se filtraria através do delgado tabique. Suponhamos agora que os copos de água tirados de uma das divisões fossem por nós vertidos, depois de utilizados, na mesma divisão do recipiente. Teríamos assim, pouco a pouco, a água de um lado diferente da do outro, e supondo que o tabique se tenha tornado impermeável durante este processo, haveria dois recipientes em vez de um.

Esta operação se repete constantemente até chegar-se aos animais superiores, cuja alma coletiva anima um número relativamente pequeno de corpos. Tem-se observado que tão só os animais domésticos, e mesmo assim nem todos, podem individualizar-se, ou seja passar do reino animal ao reino humano.

Convém recordar que apenas transcorreu a metade da evolução de nossa cadeia planetária, e até o fim desta evolução não ascenderá o reino animal ao reino humano. Deduz-se, naturalmente, que os animais que alcançam ou estão prestes a alcançar a individualização, avantajam-se consideravelmente à massa total, e seu número tem de ser, forçosamente, muito reduzido. Contudo, estes casos se apresentam algumas vezes e são bastante interessantes, pois nos ensinam como viemos à existência num remotíssimo passado. O reino animal da Cadeia Lunar, da qual proviemos, se acha em nível inferior ao reino animal de nossos dias; mas os princípios que presidem ao processo da individualização são sempre os mesmos.

C. W. Leadbeater, O Homem Visível e Invisível – Editora Pensamento

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