A Família como Agência Educadora por Excelência

Uma família completa pressupõe, necessariamente, mãe, pai e filho.

Eventualmente, pode ser acrescida de outros parentes: avós, tios, primos, etc., mas o seu núcleo será, sempre, formado pelos três primeiros.

Por isso apenas eles são focalizados neste trabalho.

A família – todos o reconhecem – é a célula orgânica do corpo social e o sustentáculo de sua perpetuidade.

Se, em algum tempo, a família deixasse de existir, a sociedade se esbarraria inexoravelmente, pois nenhuma outra instituição seria capaz de substituí-la como escala de virtudes sociais.

Por isso é que se diz, também, com muito acerto, que “a família é o berço da civilização de um povo”. Mas, para que possa exercer sua função de agência educadora por excelência, o instituto familiar precisa ter como infra-estrutura – o amor recíproco de seus membros; como pedras angulares – a autenticidade, a assistência, a estabilidade e a harmonia; e como cúpula – a solidariedade.

Sem esse amor, os laços de sangue e o teto comum, características fundamentais da família, careceriam de solidez, impossibilitando a existência daqueles outros elementos de suma importância na edificação de um lar.

A autenticidade consiste em mãe, pai e filho(s) conhecerem o exato papel de cada um na sociedade familial, dando-lhe correto desempenho, o que vale dizer: sem omitir-se, mas também sem invadir o terreno alheio.

À mãe, como força integrativa do lar, cabe distribuir afeição a todos os seus elementos constitutivos; ao pai, como chefe da família, compete exercer autoridade; dos irmãos, como rivais na competição pela posse dos genitores, espera-se que aprendam a vencer o egoísmo e evoluam para a fraternidade.

A assistência se traduz pelo interesse dos pais no sentido de organizar e preservar a vida doméstica, protegendo-a contra tudo o que a possa perturbar ou destruir, o que lhes exigirá a presença no lar pelo maior tempo possível. Não aquela presença virtual, mas principalmente presença de alma, para que possam dar aos filhos o carinho, a orientação e a cobertura moral de que necessitam.

Certos pais vêem-se obrigados, por força da profissão que exercem, a longos períodos de afastamento do lar. Não poucas mães, por trabalharem fora, também não podem estar continuamente em casa, como seria de desejar-se. Uns e outras precisam, então, compensar essas ausências com redobradas atenções e desvelos para com os filhos, quando possam fazer-lhes companhia, a fim de que eles não se sintam abandonados, ou mesmo rejeitados, vindo a sofrer as danosas consequências da carência afetiva.

A estabilidade compreende a definição clara dos ideais visados pela família, ou, em outras palavras, a determinação de um quadro de valores a atingir, numa busca constante e incansável, sem que isso dependa da abundância ou escassez do dinheiro que entre em casa, da maior ou menor quantidade de doses alcoólicas engolidas pelo pai, do bom ou mau funcionamento do aparelho digestivo da mãe, e outros fatores que tais.

Incapazes, na infância e na adolescência, de um juízo perfeito sobre o que é certo ou errado, o que lhes convém ou não, os filhos necessitam que os pais lhes apontem o melhor caminho a seguir e nele perseverem.

As incertezas do porvir, tanto quanto as mudanças bruscas na filosofia de vida, confundem-lhes o espírito e suscitam insegurança prejudicando seriamente seu equilíbrio emocional.

A harmonia resulta da correlação de diversos valores a serem cultivados pelos pais, como o amor, a autoridade, o bom entendimento, confiança e sinceridade recíprocas, sua capacidade de perdoar, esquecer e recomeçar, bem assim da auto-disciplina dos filhos, que precisam ser orientados de modo a só desejarem e se permitirem o que podem ou devem fazer, num regime de absoluto respeito às pessoas, às coisas e aos direitos do próximo.

A solidariedade, apanágio dos lares bem constituídos, exprime-se por um forte espíritos de família, ou seja, pelo calor humano de seus integrantes, pelo compartilhamento de interesses, pelo recíproco pertencimento.

É a mãezinha, sempre presente, em plantão de amor, para consagrar-se prazerosamente ao bem-estar de seus entes queridos. É o pai, atento aos problemas da família e que, com seu prestígio moral, faz dos seus, criaturas realizadas e felizes. São as crianças, em fraternal convívio, crescendo e desenvolvendo os dons pessoais, sem invejas nem frustrações. É, enfim, a constelação familiar – mãe, pai e filhos – em estreita comunhão de afeto, caminhando, juntos, rumo ao infinito, tendo por divisa: “um por todos e todos por um”.

Rodolfo Calligaris, A Vida em Família – Editora IDE

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