Verdades sobre as Escolas de Aprendizes do Evangelho

Estas escolas não foram criadas para estudos teóricos do Evangelho, ou de Doutrina Espírita em sentido geral.

São uma iniciação doutrinária do setor religioso, com base nos ensinamentos de Jesus, nas quais somente devem se inscrever aqueles que desejem realizar, em si mesmos, as transformações morais que o Evangelho exige nas suas testemunhações.

Jesus, ao falar sobre essas transformações, referiu-se a um homem novo, purificado à luz das verdades que ensinava, e cujo substrato se configura no Sermão do Monte.

E, no mesmo estilo figurado, disse que não há proveito em se fazer remendo em roupa velha, significando que, para essas transformações, é preciso renovar tudo, desprezando-se preconceitos sociais e religiosos, contemporizações, arranjos, adaptações; é necessário tecer um tecido novo, em trama mais resistente, para que perdure e o trabalho seja aproveitável.

A roupa velha é o homem velho, saturado de vícios e defeitos e o homem novo é aquele que recebe o remendo (compreensão, preparação, purificação, serviços), tudo resumido na Reforma Íntima, que é o principal fundamento e finalidade inarredável destas escolas.

E estas transformações não se realizam com teorias (como temos várias vezes afirmado), com meias medidas; para elas a regra é: o não, não; sim, sim, do Evangelho; o oito ou oitenta, da gíria popular; ação não com palavras, mas com fatos concretos e conscientes; com mudanças internas profundas; com sacrifícios e renúncias, e nunca com simples aparências enganadoras.

Por isso a Reforma Íntima é obrigatória e não aleatória. Depende de decisões pessoais e corajosas, no sentido de efetivá-las rigorosamente e jamais supor que ela se possa realizar por si mesma, ou na força das palavras dos expositores e dirigentes, algumas vezes precisados tanto delas, como os próprios aprendizes.

Não se pode usar o termo “reforma íntima” separado da sua verdadeira e irrecorrível significação: de transformações morais.

Escolas de Aprendizes do Evangelho sem a obrigatoriedade da reforma íntima é um contrasenso, quando não for um subterfúgio usado para fugir a essa verdade; uma adaptação cômoda, porém inútil; ou uma tolerância contraproducente, porque não atinge o alvo essencial do esforço, que é a evangelização.

Conquanto essas medidas satisfaçam porventura à Instituições que mantêm escolas, os benefícios serão inconsistentes e ilusórios, como a experiência tem demostrado, inclusive esta de ostentar número elevado de alunos; e tudo reverte, por fim, em descrédito da Doutrina e frustração momentânea dos programas do Plano Espiritual Superior para o nosso meio.

A não ser que, em ressalva da responsabilidade espiritual, se declare que a Escola em causa é de ensinamentos teóricos e de simples interpretações do Evangelho.

Assim sendo, a situação se esclarece e ninguém se engana, porque neste caso, se trataria de escola de um tipo diferente, que assim seria útil, porque no Espiritismo escolas as mais variadas devem surgir amplamente para o esclarecimento do maior número.

Edgard Armond, Verdades e Conceitos II – Editora Aliança – 1982

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