Desvios de Conduta e Vícios

Desvio de conduta, no contexto cristão, é afastar-se, através de ações, omissões ou pensamentos, da meta ideal que todo encarnado deve ter, que é seguir o Evangelho de Jesus.

Todo comportamento, por mais singelo que possa ser, separando-se da rota cristã, apresenta-se como desvio de conduta.

Os desvios estão presentes em inúmeras áreas do relacionamento humano, compondo o ser, interior e exteriormente, dando-lhe o prisma de vida e fomentando-lhe as atitudes.

No atual estágio da Humanidade, quase impossível dizer que algum encarnado esteja completamente livre de desvios de comportamento. Alguns os têm mais, outros, menos.

O objetivo maior é evitá-los, extirpá-los, consolidando o caráter cristão. Não conseguindo fazê-lo integralmente, a meta passa a ser controlá-los, dominá-los, a fim de amenizá-los.

Inconcebível é permitir que aumentem, cresçam, tornem-se maiores que a própria criatura nos danos que causam e nas conseqüências que acarretam.

Desvios de conduta, quando reiterados insistentemente, tornam-se vícios. Assim, por exemplo, o hábito de fumar ou mesmo o de não pagar dívidas. Do mesmo modo, torna-se vício o comportamento anticristão de cometer crimes freqüentemente ou o de se dedicar lasciva e rotineiramente ao sexo. De formas mais leves de afastamento do comportamento ideal – desvios de conduta – passa o encarnado, muitas vezes, às mais graves – vícios.

Corrigir um desvio é complexo. Sanar um vício é extremamente complexo. Não o fazer – nem tentar – é um completo desatino.

Por que não combater as pequenas más tendências? Por que deixá-las progredir até que sejam incorporadas aos hábitos do cotidiano? O vício é a reincidência permanente do desvio de conduta.

Os males por eles trazidos são de diversa ordem: físicos, psíquicos e espirituais. Podem vir intensamente ou de forma branda, mas sempre advirão.

Ingênuo aquele que acredita na isenção dos pensamentos. São também fonte criativa dos desvios e dos vícios. Assim o encarnado que passa seus dias sonhando com uma riqueza que não possui. Pode ser desde um viciado na preguiça a um materialista convicto, manifestando tais tendências pelo conteúdo do seu pensar.

Tudo que o ser faz e como faz altera o mundo ao seu redor. Pode fazê-lo ostensiva ou camufladamente. Esta é a forma do pensamento viciado. A outra, a das atitudes.

Quando provoca reações, estas podem ser positivas ou negativas. As segundas advém dos desvios e dos vícios; as primeiras, do comportamento cristão.

O combate aos vícios deve existir sempre. Quando necessário, contará o encarnado com o apoio da medicina material. Quando não, utilizará o recurso da reforma íntima.

Inerte, somente trará a si mesmo maiores danos. Um vício que cause dependência física pode levar ao desencarne prematuro e o ato será equivalente a um suicídio, apesar de inconsciente.

Transformam-se periodicamente as leis dos homens – para melhor ou pior – mas permanecem íntegras e consolidadas as leis de Deus. Com base nestas deve o encarnado pautar-se, ainda que tenha naquelas abrigo.

O exagero é sempre um mal. Logo, tomar um remédio pode ser um alívio; viciar-se nele, uma tragédia. Tal lema pode ser aplicado a todos os setores da vida material.

Eis que amar o semelhante é um dever; amar o cônjuge, um bálsamo; dominar pela paixão, no entanto, passa a ser desvio de conduta. Tornar-se possessivo, em matéria de amor, é um vício.

Não se utiliza, neste texto, o conceito de vício como um defeito grave inerente à pessoa, apesar de sê-lo, visto que sua definição acompanha a de desvio de conduta. Vício é a reiteração habitual e insistente do desvio.

Os dois são males e ambos são graves, embora comportem diferentes gradações, como já explicado em ítens precedentes.

Assim, toda fuga de ordem moral, que importe em afastamento dos preceitos cristãos, constitui um desvio, que, reiterado, torna-se um vício. A fuga de ordem moral é o defeito de personalidade que o encarnado deve estancar.

A reforma íntima é o instrumento para combater não somente o desvio de conduta, mas fundamentalmente o vício. Mudando o comportamento, aprimorando as atitudes e cultivando virtudes, o encarnado conseguirá manter-se afastado das mazelas que lhe trazem infelicidade, angústia, remorso e tristeza. Tornar-se-á, essencialmente, feliz.

Abel Glaser pelo Espírito Cairbar Schutel – Fundamentos da Reforma Íntima – O Clarim

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