As Manifestações Metapsíquicas e os Animais

Assinala-se, com freqüência, que as manifestações metapsíquicas nas quais os homens aparecem como agentes ou perceptores são conhecidas desde há muito tempo por todos os povos. Ora, não se poderia dizer o mesmo para os fatos nos quais o papel de agente ou de percipiente é feito por animais.

Naturalmente, as manifestações metapsíquicas em que os protagonistas são animais podem ser circunscritas em limites de realização mais modestos do que nos casos em que os protagonistas são seres humanos. Esses limites correspondem às capacidades intelectuais das espécies animais em que os casos se produzem; no entanto, elas se mostram mais dignas de nota do que se poderia supor a princípio. Entre esses fenômenos encontram-se, de fato, episódios telepáticos nos quais os animais não fazem somente o papel de perceptor, mas também o de agente; episódios relativos aos animais que percebem, ao mesmo tempo que o homem, Entidades e outras manifestações paranormais, fora de qualquer coincidência telepática; e finalmente, episódios em que os animais percebem, tal qual o homem, as manifestações que se produzem em lugares assombrados. É necessário ainda acrescentar a essas categorias episódios de materialização de fantasmas animais, obtidos experimentalmente, e por fim, aparições post-mortem de fantasmas animais identificados, situação esta que ostenta uma importância teórica respeitável, uma vez que ela fundamenta a hipótese da sobrevivência da alma dos animais.

A análise dessa ramificação dos fenômenos metapsíquicos (…) onde os animais percebem tal como o homem as manifestações de telepatia ou de assombração, propõe a hipótese segundo a qual as percepções psíquicas dessa natureza seriam explicadas a partir de um fenômeno alucinatório criado pelos centros de idealização de um agente humano e em seguida transmitido insconscientemente aos centros homólogos do animal percipiente presente.

Para a outra categoria de fenômenos, e, mais precisamente, para aquela relativa às aparições de fantasmas de animais, supôs-se um fenômeno de alucinação puro e simples da parte do indivíduo perceptor. Porém, a análise comparada dos fatos mostra que, freqüentemente, os fantasmas animais são percebidos coletivamente e sucessivamente: eles se identificam, além disso, com os animais que viveram e morreram naquele local; e isto sem contar o fato de que os percipientes ignoravam que os animais vistos naquelas condições tivessem existido.

Desse modo, é necessário concluir que, de uma maneira geral, as duas hipóteses aqui apresentadas são insuficientes para dar conta dos fatos. Tal conclusão tem grande importância teórica, uma vez que nos leva a admitir a existência de uma subconsciência animal, depositária das mesmas faculdades paranormais existentes na subconsciência humana; ao mesmo tempo, ela nos leva a reconhecer a possibilidade de aparições verídicas de fantasmas animais.

Dessa conclusão se depreende todo o valor científico e filosófico desse novo ramos de pesquisa psíquica. Ela nos possibilita prever que, em breve, teremos que considerá-la se quisermos estabelecer a “Ciência da Alma” sobre bases sólidas, sem as quais a Ciência pareceria incompleta e até mesmo inexplicável, tendo em vista a contribuição que nos fornece o exame analítico e as conclusões sintetizadas a respeito da “psique” – isto é, da alma – animal.

Ernesto Bozzano, A Alma nos Animais – Editora Golden Books

Notas

*Esta obra, primeiramente publicada em italiano no ano de 1923, apresenta uma criteriosa pesquisa em torno da fenomenologia paranormal envolvendo animais. Cerca de 130 casos foram analisados e classificados pelo Autor com a máxima isenção, na medida do possível, deixando ao leitor a prerrogativa de tirar conclusões.

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