Laços de Família

O lar, na Terra, é um bendito laboratório para as experiências inabordáveis da evolução do Espírito.

Por sua vez, a família constitui o campo sublime de realizações intelecto-morais, no qual ressurgem os labores que ficaram interrompidos pela imprevidência e agressividade, aguardando futura regularização. Isto porque, ninguém desrespeita os Soberanos Códigos da Vida, sem que não seja chamado à reparação inadiável.

Em face do largo processo reencarnatório – a simbólica escada bíblica de Jacó – no qual, os insucessos, não poucas vezes, superam os êxitos nas atividades empreendidas, ei-los que retornam a fim de se realizarem os indispensáveis ajustamentos, com novas programações para o futuro.

O lar, em conseqüência, e a família, tornam-se educandários de excelente qualidade para os ajustes e reabilitações dos agressores de qualquer natureza.

Na consangüinidade, portanto, encontram-se os laços que vinculam os Espíritos, uns aos outros, proporcionando-lhes a convivência necessária para a aprendizagem de comportamentos saudáveis, ao tempo em que faculta o desenvolvimento dos valores adormecidos, assim como das possibilidades de serviço auto-iluminativo com vistas ao progresso da sociedade.

Por isso, o lar é a primeira escola da vida física, e a família é o mecanismo superior para a valorização dos tesouros da harmonia.

Nesse santuário de bênçãos, que é o lar, e nesse convívio familial, inimigos se acercam, atados pelos recursos genéticos, que impõem os impositivos da fraternidade, embora as lutas prossigam, não poucas vezes, acirradas, limando arestas, até o momento em que se possa triunfar sobre a animosidade, perdoando-se reciprocamente e passando-se a amar e compreender…

Na sua intimidade endividados volvem ao mesmo procênio, em cobranças vigorosas, que os vínculos da carne, responsáveis pelo estreitamento da convivência, ensejam o diluir dos sentimentos de vingança e de malquerença.

Algozes recomeçam sob a dependência das suas antigas vítimas, agora em situação diferente, a fim de recomporem os compromissos da vera fraternidade, instituindo o programa do bem comum, em forma de edificação pessoal e coletiva.

Pais e filhos, que foram comparsas em erros ou se fizeram adversários sistemáticos, novamente defrontam-se, sem justificação válida para a postergação do dever de união e de paz.

Amantes traídos e traidores do sentimento afetivo, reaparecem em carência e vivenciam o vazio existencial, incompreendidos e desolados, aprendendo respeito ao seu próximo e compreensão em torno da solidariedade que deve viger entre todos.

Afeições dignificantes que foram perturbadas pela vilania dos desejos inferiores, ressurgem na família, exigentes e aterradoras, em confusão de sentimentos que a desconsertam…

Por isso, não se tem a família na qual se gostaria de estar, mas aquela que se torna necessária para a mais valiosa conquista de espiritualidade.

Lares, pois, desagregados e famílias turbulentas, são as conseqüências da conduta de cada um dos seus membros, ora unidos para refazimento das emoções, conquista da harmonia, respeito pelo equilíbrio, superação do egoísmo…

Há, sim, famílias consangüíneas que reúnem Espíritos queridos, que se amam e se ajudam, mas isso não constitui regra geral…

A fim de que a fraternidade alcance grupos distantes, as Divinas leis propõem as experiências dolorosas, normalmente, nos grupos familiares, de modo que a paciência e a misericórdia substituam a traição e o ódio, a indiferença e a crueldade que um dia, no passado, afastaram os Espíritos que se deveriam amar, levando-os a graves dores e perturbações.

Os laços, pois, de família, são de estrutura espiritual, no entanto, mediante as reencarnações felizes, nas quais se resgatam velhos compromissos, surgem o amor e a bondade para os unir definitivamente.

Eis por que Jesus, admoestado pelos amigos, a respeito dos familiares que O buscavam, tentando interromper-Lhe o ministério, interrogou, esclarecendo: “-Quem são meu pai, minha mãe e meus irmãos, senão, aqueles que fazem a vontade de Deus?”

A sua era e é, pois, a família universal.

Divaldo Pereira Franco pelo Espírito Joanna de Ângelis, Iluminação Interior – Ed. LEAL

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