Elucidações sobre a Prece V

Em que condições a prece é insuficiente, negativa ou até mesmo inconveniente?

A prece, em face de sua natureza excelsa e imponderável, é súplica religiosa ou rogativa terna, pairando acima dos interesses egoístas do ser. Ela vivifica a alma e exalta o Bem; sendo, portanto, censurável que alguns homens subvertidos convoquem forças mentais para atender aos seus objetos mercenários, egocêntricos ou até vingativos. A oração é negativa quando não é mobilizada exclusivamente para o bem do Espírito imortal ou em benefício do próximo. Eis por que não são preces, mas sim, “invocações satânicas”, os apelos e as cerimônias litúrgicas dos sacerdotes imprudentes, quando benzem canhões, cruzadores, submarinos belicosos e armas mortíferas, que se destinam a massacrar pretensos inimigos em guerras fraticidas. Também não correspondem ao caráter excelso e redentor da prece as rezas, os cantochões e as ladainhas extensas com que esses infelizes ministros de Deus julgavam burlar a lei do Amor quando, nas fogueiras da Inquisição, queimavam as suas vítimas indefesas.

Jamais o Alto admitiria esse truncamento da oração – mediadora do Espírito e estímulo da Vida – para cobertura de crueldades tão maléficas e diabólicas, embora executadas sob o pálio da religião oficial. Deus não patrocina a indústria da Morte, fora da lei normal de evolução e libertação espiritual no prazo justo. Ele não possui inimigos, pois todos são seus filhos e dignos do mesmo Amor.

Inconveniente também é a oração como rogativa interesseira para melhorar negócios, evitar deveres cotidianos, satisfazer paixões ilícitas, desforrar-se do adversário ou conseguir fortuna fácil mediante especulações de negócios escusos. A prece desafoga o ser nas horas cruciantes e pertubadoras, renovando-lhe o ânimo pelo energismo superior e consolando-lhe a alma pela certeza de breve libertação dos sofrimentos redentores da carne. Jesus, Francisco de Assis, Dom Bosco, Teresinha de Jesus, Vicente de Paula e outras criaturas de elevado porte espiritual, que sobrepunham a Vida Eterna à transitoriedade do mundo material, voavam nas asas da prece até as esferas angélicas e comungavam, felizes, com o reino celestial do Senhor.

Hercílio Maes pelo Espírito Ramatís, Elucidações do Além – Editora do Conhecimento

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