Inimigos e Familiares

“E assim os inimigos do homem serão os seus familiares”. (Mt. 10:36)

“E assim os inimigos do homem” – Os inimigos podem ser examinados sob dois aspectos: os da família consangüínea e os traços da própria personalidade. A Doutrina Espírita nos ensina que as pessoas que se desentenderam em passadas reencarnações hoje se congregam dentro de uma mesma família, buscando o resgate e a harmonização indispensáveis, diante das leis do Senhor. Por misericórdia, dificilmente se recordam dos acontecimentos desagradáveis do passado, em função do véu do esquecimento; embora se manifestem antipatias, ódios, ciúmes, desconfianças, a ponto de virem a ocorrer separações, perseguições, mortes… E muitos chegam a constatar que é mais fácil conviver com estranhos do que com parentes. A ocorrência vai mais longe, se estendendo a chefes de serviço, a companheiros de atividades, a pessoas diversas com as quais somos, pelas circunstâncias, obrigados a interagir. De outro lado há de se considerar a presença dos inimigos que cada um traz dentro de si, representados por conflitos, por deficiências de que somos ainda portadores e que conspiram contra a saúde física, o desequilíbrio emocional e a felicidade.

“Serão os seus familiares.” – No âmbito familiar , os inimigos nem sempre manifestos ostensivamente, agem e reagem de modo a impedirem, ainda que insconscientemente, que vivamos como gostaríamos, compreendidos e amados. Nessa situação, se soubermos administrar, com humildade e embasados no conhecimento que ora detemos, a dificuldade será reduzida ou desativada, como também teremos a convicção de que podemos ser agentes ativos, geradores de dificuldades para terceiros do mesmo teor. Tal fato estará a nos exigir ação cristã na superação de quaisquer arestas que possam impedir que o lar seja o cadinho capaz de recompor os terrenos do destino na base do entendimento e do perdão.

De outro lado não podemos esquecer da série de caracteres de ordem negativa a imperarem em nosso psiquismo. São eles elementos mais complexos porque, instalados no íntimo, conspiram contra o bem-estar. Neste caso, renovar-se passa a ser caridade essencial de que necessitamos adotar. Tão sério é este fator que o Mestre nos adverte: “E não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma; temei antes aquele que pode fazer perecer no inferno a alma e o corpo.” (Mt. 10:28)

Honório Onofre de Abreu (coordenação), Luz Imperecível – UEM;

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