Mãe: Fonte Perene de Afetividade

O amor recíproco entre os membros da família é essencial para que possa ela cumprir as nobres finalidades que lhe estão comprometidas.

Nos lares em que tal clima de afeto seja uma realidade, cada qual se sentirá ligado aos demais, numa espécie de aglutinação, ao passo que onde isso não ocorra, o que poderá haver, no máximo, é simples justaposição.

Criaturas extremamente imperfeitas que somos, estamos muito longe de possuir aquele amor puro e incondicional, próprio dos espíritos de escol.

O amor que quase todos conhecemos ressente-se, ainda, de forte dose de egocentrismo e, porque é assim, mais exige do que doa. Por conseguinte, se não for satisfeito em seus desejos, nem correspondido em suas efusões, definha e perece, quando não se transforma em malquerença.

Ao instituir a família, aprouve a Deus, em Sua infinita sabedoria, confiar à mãe a sublime missão de ser a despenseira de afeto, infundindo em seu coração reservas inexauríveis de abnegação, de meiguice e de paciência, com que acudir às necessidades do filho sem desatender aos reclamos do pai, assegurando, destarte, a condição básica da sobrevivência familiar.

Seu afeto conjugal, após o evento da maternidade, longe de ser diminuído ou esvaziado, precisará, talvez, tornar-se mais solícito, para não suceder que, sentindo-se roubado em seus direitos, o pai venha a rejeitar o filho, tomando-o à conta de usurpador. Para o filho, então, o amor materno é tão indispensável quanto o Sol o é para a vida das plantas. Se lhe faltar esse amor, seu desenvolvimento físico, mental, afetivo e espiritual estará comprometido por toda a existência de forma insanável, já que nada, absolutamente nada, poderá compensá-lo.

Está, hoje, cientificamente comprovado que as crianças amamentadas pela mãe e que dela recebam um bom atendimento na primeira infância, não só têm mais chance de vingar, como também de andar, falar e aprender as coisas na idade própria, sendo que geralmente ostentam uma fisionomia radiosa e feliz.

Já aquelas que recebem aleitamento artificial e são criadas em instituições, devido à perda ou ao abandono da mãe, apresentam um índice de mortalidade bastante elevado e, conquanto não lhes falte assistência médica, condições higiênicas e tudo o mais, via de regra sofrem um retardamento em sua evolução psicossomática e se caracterizam por uma tristeza de causar pena.

Não é só. A carência ou insuficiência do amor materno é responsável, igualmente, por inúmeros distúrbios psicológicos do adulto, inclusive a neurose, tornando-o incapaz de estabelecer vínculos de afeição e de lealdade com os outros, ou seja, adaptar-se à sociedade.

Por isso, embora a mãe possa e deva ter certa autoridade no lar, é no plano da afetividade que deve situar-se o seu verdadeiro papel.

A ela incumbirá promover a integração familiar, fusionamento uns com os outros na amizade e na cooperação oferecendo a todos o seu sorriso estimulante, sua palavra encorajadora e o calor de sua ternura. Caber-lhe-á, também, criar e manter em torno de si um estado de permanente euforia, para o que evitará ferir susceribilidades, provocar ciúmes ou mostrar-se apreensiva, envolvendo e contagiando esposo e filhos com sua alegria comunicativa, seu entusiasmo sadio e o seu indefectível senso de humor.

Desculpará, tantas vezes quantas se fizerem necessárias, as explosões de uns e a agressividade de outros, impedindo a fermentação de ressentimentos que pudessem esfriar as relações familiais.

Precisará, ainda, estar preparada para ver o filho crescer, desprender-se de seus braços, buscar outros relacionamentos, desejar autoafirmar-se e, finalmente, proclamar sua independência, compreendendo que isso é natural e até facilitando essa libertação, já que o amor de mãe, para ser autêntico e corresponder aos desígnios da Providência, há de ser sobretudo doação, nunca possessão.

Todavia, embora deva permanecer, em qualquer circunstância, como o símbolo do amor, a mãe não deve confundir tal sentimento com pieguice, fraqueza e subserviência. A pieguice suscita indisciplina; a fraqueza favorece a irresponsabilidade; a subserviência gera o menosprezo.

Rodolfo Calligaris, A Vida em Família – Ed. IDE

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