Oração e Cura I

A oração deve constituir uma bênção, na qual a criatura e o Criador se identificam, mediante a linguagem inarticulada do sentimento de plena união.

Quando alguém ora, quase sempre são verbalizados os anseios da mente e do coração, facultando melhor concentração, especialmente naqueles que não estão acostumados à reflexão profunda. Sem dúvida, que não se trata de palavras memorizadas e repetidas sem qualquer emoção, com o pensamento distanciado, não participativo.

A verdadeira oração faz-se mediante um colóquio com a Divindade, abrindo-se o indivíduo à inspiração, sem qualquer tipo de formulação que objetive resultados imediatos.

Acostumando-se à dependência de favores, a criatura transfere para Deus as suas necessidades, sem a resolução firme de solucioná-las, utilizando-se da prece como recurso persuasório, a fim de conseguir benefícios que os pode adquirir quando envida esforços e trabalho bem direcionado.

Não é essa a essência da oração. Ela tem como objetivo franquear ao Espírito as possibilidades de entendimento da vida e sua auto-iluminação, como decorrência do bem-estar haurido nos momentos de integração na Consciência Cósmica, com a qual permanece em perfeita união.

Somente através do exercício de busca da anulação do ego para a superação das paixões que perturbam a lucidez, é que se alcança o estado oracional, no qual há uma equilibrada transfusão de energias que se expandem e de outras que penetram o ser, propiciando-lhe harmonia e lucidez.

A oração, portanto, não pode ser colocada a serviço do atendimento dos desejos, normalmente infantis, da solução de interesses, nem sempre louváveis, mas revestir-se de emoções de louvor, de entrega, de submissão aos impositivos da Lei de Causa e Efeito. Pudesse alterar as conseqüências advindas da irreflexão, proporcionando ventura ao infrator, saúde ao rebelde e insensato, e estaria defraudando o equilíbrio universal.

Em face disso, o momento de prece é de interação, de doação e de escuta, a fim de que sejam captadas as diretrizes existenciais que podem auxiliar na escalada ascensional.

Na síntese apresentada por Jesus, na oração dominical dirigida a Nosso Pai, está fixada a submissão à Sua vontade, em razão de não haver ainda no ser humano a necessária sabedoria para saber o que lhe é de melhor, aquilo que é mais importante para o seu processo de evolução.

Fixando-se no presente e nos impositivos do prazer veloz, acredita que são importantes esses fenômenos fugazes, não se detendo a meditar em torno dos resultados do sofrimento mais tarde, a respeito dos desafios atuais que se transformam em conquistas posteriores, das situações difíceis que se alterarão em favor do seu progresso intelecto-moral… A sua visão imediatista apenas detecta o que, no momento, lhe parece importante, mesmo que passageiro e insuficiente para a auto-realização.

Quando a prece faculta a submissão à Sua vontade, há um enriquecimento espiritual do orante que o capacita aos enfrentamentos perturbadores com serenidade e grande alegria, por entender que fazem parte do processo de crescimento espiritual que lhe é necessário.

Divaldo Pereira Franco pelo Espírito Joanna de Ângelis, Iluminação Interior – Ed. LEAL

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