Francisco Cândido Xavier

Nasceu em 2 de abril de 1910, em Pedro Leopoldo, MG. Filho de pais humildes, a dona de casa Maria João de Deus e o vendedor de bilhetes João Cândido Xavier, teve, muito cedo, de ajustar-se ao trabalho infantil para ajudar sua família numerosa.

Aos quatro anos perdeu a mãe e foi, temporariamente, colocado sob a tutela de uma madrinha, que o castigava com perversidade, diariamente. Desesperado com tal situação, sua mãe aparece a ele (seu primeiro contato com a mediunidade) pedindo-lhe paciência para aguardar a melhora da situação (que aconteceu após o segundo casamento do pai, amparado por uma madrasta carinhosa).

Aos dezessete anos uma das irmãs de Chico Xavier é acometida de terríveis acessos de loucura – na verdade, uma pertinaz obsessão. Atendida por um casal de espíritas, vê-se curada por Espíritos Benfeitores. Com a cura espiritual da irmã, Chico vislumbra no Espiritismo o “caminho da verdade e vida” apontado por Jesus, decidindo tornar-se espírita. A mulher do casal, dona Cármen Perácio tem ainda, na presença de Chico, a visão de uma “chuva de livros” sobre sua cabeça. Logo, Chico passa a freqüentar as reuniões espíritas do casal, desenvolvendo a mediunidade de psicografia. Foi esse o início da sua “missão do livro”.

Em 1931 o Espírito de Emmanuel manifesta-se assumindo a direção de sua tarefa mediúnica, e pede duas coisas fundamentais para a sua vida: “disciplina, disciplina e disciplina” e que jamais, absolutamente, deixasse de ser “fiel à codificação Kardequiana”, sem as quais colocaria “tudo a perder”.

Em 1932 foi editado pela FEB seu primeiro livro mediúnico, Parnaso de Além-Túmulo, que traz a assinatura dos maiores poetas desencarnados da língua portuguesa. A repercussão da obra não tardaria, chamando a atenção dos principais meios de comunicação, literatos e intelectuais da época, tornando-o nacionalmente conhecido e assediado.

Chico, entretanto, apesar do assédio, não se perturba e permanece sempre “fiel aos exemplos e ensinamentos de Jesus”, destacando-se pela serenidade, caráter humilde, segurança de raciocínio (convicto do objetivo doutrinário de sua tarefa espiritual) e espírito se serviço interminável em favor do próximo, de forma graciosa e evangélica, numa mediunidade zelosa do Bem.

A despeito de sua instrução primária, Chico é assistido e auxiliado pelos Espíritos Emmanuel e André Luiz (este último passou a prestar sua colaboração a partir da década de 40) e consegue ir além das possibilidades humanas, produzindo um conjunto invejável de obras editadas (filosóficas, históricas, de natureza científico-doutrinárias, de instruções e mensagens, etc.) que ultrapassa a quatro centenas. Os livros da chamada “coleção André Luiz” (Nosso Lar, Os Mensageiros, Missionários da Luz, etc. ) tornam-se básicos aos conhecimento da vida espiritual nunca antes revelada com tantos detalhes e minúcias pelos Espíritos, desnudando a realidade de sua organização, fundamentados nas leis divinas, como a lei de Ação e Reação.

São muitos os casos e histórias sobre a mediunidade de Chico contada pelos seus biógrafos: o processo que sofreu da família do falecido escritor Humberto de Campos, que requeria os direitos autorais d Espírito; legados e fortunas rejeitadas, como a do industrial Frederico Fígner, que o tornaria um homem rico; o hábito de chamar pessoas que nunca viu antes pelo nome, transmitindo-lhes instruções inesquecíveis; respostar precisas dos Espíritos dadas a simples inquirições do pensamento; o perfume de rosas que exala de si, causando um “enlevo espiritual”; diversos tipos de fenômenos de efeitos físicos com objetivos espirituais elevados… Mas nada foi tão caro e importante em sua tarefa espiritual, provocando o despertar para a responsabilidade da vida cristã, com vistas às responsabilidades da vida futura, que sua dedicação e seriedade na recepção das mensagens, recebidas de parentes, amigos e conhecidos desencarnados, sob a direção de Emmanuel, incitando seus beneficiários, o público presente e os leitores dessas mensagens, à mudança de atitude e de conceitos vitais sob a égide da reforma íntima. Esse trabalho se multiplicou pela vida afora, no Brasil e no exterior, com a fundação de um número incontável de Casas e obras assistenciais espíritas.

Chico sempre viveu tudo aquilo que Jesus e os Espíritos Superiores ensinaram, e foi incansável, mesmo doente desde a mocidade (problemas cardíacos, labirintite, cegueira parcial) e, ainda, acometido de problemas materiais constantes. Soube representar bem a Doutrina dos Espíritos com fidelidade a Kardec, sem jamais faltar ao compromisso do trabalho e “dando de graça o que de graça recebeu”. Além disso, todos os direitos autorais de suas obras mediúnicas foram doados a diversas instituições assistenciais espíritas. Pelos tantos benefícios prestados, chegou a ser indicado ao Prêmio Nobel da Paz, em 1980, quando a vencedora foi Madre Teresa de Calcutá.

Em Pedro Leopoldo, Chico trabalhou no Centro Espírita Luiz Gonzaga até 1959, quando se transferiu para Uberaba, devido a problemas de saúde e por orientação médica. Em Uberaba trabalhou no Comunhão Espírita Cristã até 1975, quando fundou o Grupo Espírita da Prece, realizando também o conhecido Evangelho ao ar livre, à sombra do abacateiro. Aposentou-se como modesto funcionário público do Ministério da Agricultura em 1973. A partir da segunda metade de 1990, Chico afastou-se das atividades públicas regulares devido a sérios problemas de saúde.

São inúmeras as homenagens públicas que recebeu (e todas ele as atribuiu à Doutrina Espírita, dizendo-se apenas ter servido de “cabide” à ela). Quando foi receber o título de cidadão paulistano, Emmanuel fez um discurso memorável, lembrando aos vereadores presentes fatos e mais fatos, datas de acontecimentos e uma infinidade de personalidades, por estes desconhecidos, que fizeram a história da cidade, desde a sua fundação, por Manuel da Nóbrega. Este mesmo Manuel da Nóbrega que, conforme escreveu Clóvis Tavares, em Amor e Sabedoria de Emmanuel, foi também o primeiro catequisador e o primeiro escritor em terras brasileiras.

Fonte: Entendendo o Espiritismo, Autores Diversos, Ed. Aliança – 2 edição.

_____________________________________________________________________

Chico Xavier morreu em Uberaba/MG, em 30 de junho de 2002, aos 92 anos, na casa onde hoje funciona o museu e a biblioteca que levam o nome do médium. Seu velório foi acompanhado por cerca de 80 mil pessoas durante os dois dias que ficou na Casa da Prece.

Casa da Prece é o Grupo Espírita da Prece continua realizando cultos aos sábados no local que ficou conhecido popularmente como Casa da Prece. Era lá que Chico, às sextas-feiras e aos sábados, recebia mais de 500 pessoas.

Fonte: Instituto Chico Xavier

_____________________________________________________________________

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s