Aos Anjos Guardiães e aos Espíritos Protetores

Além do anjo guardião, que sempre é um Espírito superior, temos os Espíritos protetores que, embora menos elevados, são igualmente bons e generosos. Eles são, geralmente, parentes, amigos ou quaisquer pessoas que não conhecemos em nossa existência atual. Eles nos ajudam pelos seus conselhos, e muitas vezes intervindo nos atos de nossa vida. 

Os Espíritos simpáticos são os que se ligam a nós por uma certa semelhança de gostos e tendências. Podem ser bons ou maus, conforme a natureza das nossas inclinações, que os atraem para nós.

Os Espíritos sedutores se esforçam para nos desviar do caminho do bem, sugerindo-nos maus pensamentos. Eles se aproveitam de todas as nossas fraquezas e também de tantas outras portas abertas que lhes dão acesso à nossa alma. Há os que se agarram a nós como a uma presa, mas se afastam quando reconhecem sua impotência para lutar contra a nossa vontade.

Deus nos deu um guia principal e superior, em nosso anjo guardião, e guias secundários nos Espíritos protetores e familiares. É um erro acreditar que forçosamente temos um mau Espírito colocado perto de nós para contrabalançar as boas influências. Os maus Espíritos vêm voluntariamente, desde que encontrem acesso em nós, pela nossa fraqueza ou pela nossa negligência em seguir as inspirações dos bons Espíritos. Portanto, somos nós que os atraímos. Resulta disso que nunca se está privado da assistência dos bons Espíritos, e depende de nós o afastamento dos maus. Por suas imperfeições, o homem é o causador das misérias que suporta; ele é, na maioria das vezes, seu próprio mau Espírito que ele pensa que o atormenta. (Veja nesta obra Cap. 5:4.)

A prece aos anjos guardiães e aos Espíritos protetores deve ter por finalidade solicitar sua intervenção junto de Deus, de lhes pedir a força de resistir às más sugestões, e a sua assistência nas necessidades da vida.

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Prece 01

“Espíritos sábios e benevolentes, mensageiros de Deus, cuja missão é assistir os homens e conduzi-los no bom caminho, sustentai-me nas provas desta vida; dai-me a força de suportá-las sem murmurar; desviai de mim os maus pensamentos, e fazei com que eu não dê acesso a nenhum dos maus Espíritos que tentarem me induzir ao mal. Esclarecei minha consciência sobre meus defeitos, e elevai de sobre meus olhos o véu do orgulho que poderia impedir-me de os perceber e confessá-los a mim mesmo. Vós, sobretudo meu anjo guardião, que velais mais particularmente por mim, e vós todos os Espíritos protetores que vos interessais por mim, fazei com que me torne digno da vossa benevolência. Conheceis as minhas necessidades, que elas sejam satisfeitas segundo a vontade de Deus.”

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Prece 02

“Meu Deus, permiti aos bons Espíritos que me cerca, virem em minha ajuda quando estiver em dificuldade, e me sustentar se vacilo. Fazei, Senhor, que eles me inspirem a fé, a esperança e a caridade; que sejam para mim um apoio, uma esperança e uma prova da vossa misericórdia; fazei, enfim, que eu encontre junto deles a força que me falta nas provas da vida, e, para resistir às sugestões do mal, a fé que salva e o amor que consola.”

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Prece 03

“Espíritos bem amados, anjos guardiães, vós a quem Deus, em sua infinita misericórdia, permite velar pelos homens, sede meus protetores nas provas da vida terrestre. Dai-me a força, a coragem e a resignação; inspirai-me tudo o que é bom e detende-me na inclinação do mal; que vossa doce influência penetre minha alma; fazei com que eu sinta que um amigo devotado está perto de mim, que vê meus sofrimentos e partilha minhas alegrias. E vós, meu bom anjo, não me abandoneis; tenho necessidade de toda a vossa proteção para suportar com fé e amor as provas que aprouver a Deus me enviar.”

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Todos nós temos um bom Espírito que está ligado a nós desde nosso nascimento e que nos tomou sob sua proteção. Desempenha junto de nós a missão de um pai junto a um filho: a de nos conduzir no caminho do bem e do progresso no decurso das provas da vida. Fica feliz quando correspondemos aos seus cuidados e sofre quando nos vê fracassar.

Seu nome pouco importa, pois pode não ter nenhum nome conhecido na Terra. Nós o invocamos, então, como nosso anjo guardião, nosso bom amigo espiritual. Podemos até mesmo invocá-lo sob o nome de um Espírito superior, pelo qual sentimos particularmente uma simpatia especial.

Allan Kardec, O Evangelho segundo o Espiritismo

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